terça-feira, 30 de setembro de 2008

Ticiano, Ovídio e os códigos da figuração erótica no século XVI

Carlo Ginsburg trata no seu texto da relação igreja-imagens eróticas no séc XVI e XVII. Como já se sabe, o poder desta instituição sobre a sociedade da época era imenso, e se estendia até mesmo à vida sexual das pessoas. Sendo assim, a igreja impedia o acesso do público a qualquer imagem sacra de cunho erótico. Daí houve uma divisão entre imagens sacras e eróticas. Enquanto as primeiras, por causa da igreja, encontravam-se totalmente livres de qualquer elemento erótico, as segundas passaram a ser apreciadas apenas por nobres, geralmente de forma privada.

Define-se por imagem erótica qualquer imagem que, atravez dos elementos sexuais presentes na mesma (geralmente mulheres nuas), excita o espectador, que na época era composto em sua maioria por homens.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Em seu texto, Otávio Paz observa a diferença entre o pensamento ocidental - que desde Parmmênides, limita-se a procurar distinguir o que é do que não é - e o oriental, onde a verdade é vista como uma experiência pessoal, incomunicável, onde cada um deve experiência-la e entendê-la da sua maneira. "A doutrina nos mostra o caminho, mas ninguém pode percorrê-lo por nós".

Ao afirmar que "a imagem é a cifra da condição humana", o autor também afirma que esta é o caminho para de conhecer o póprio homem e a sua natureza. A imagem para ele é o impossível verossímil, diferente da linguagem científica, que é precisa e sem erros. A linguagem poética não diz o que é, e sim o que poderia ser.

Como exemplo da diferença entre as duas linguagens, Otávio Paz fala do quanto é estranho se ouvir pela primeira fez eu 1kg de pedras é exatamente igual a 1kg de plumas. Isso porque a imagem que se tem de uma pluma é a de um objeto extremamente leve, sendo portanto impossivel de se comparar em peso a uma pedra, cuja imagem é a de um objeto duro e pesado.

Texto “A Imagem”, de Octávio Paz// Por Mariana Andrade

“A realidade poética da imagem não pode aspirar à verdade”. Para começar essa preleção, devo alertar que a lógica dialética que permeia a produção de textos acadêmicos não abrange, de acordo com o texto de Paz, o caráter múltiplo (e necessário) para englobar as significações acerca deste objeto de estudo. Com a imagem podemos interpor realidades contrárias fazendos-as dialogar entre si, ou seja, o ser e o não ser compartilham do mesmo espaço. Isso vai de encontro à distinção de idéias opostas que permeia o pensamento ocidental desde Parmênides. A imagem supre o vazio dos vocábulos. Podemos observar também que, para os orientais, a gramática do olhar, ou seja, a forma de encarar a imagem, toma seu significado como algo completo e complexo, compreendendo-a em sua completude.
Segundo o autor esse contraponto de realidades é possível atráves da poesia, onde uma palavra pode incorporar sem prejuízo a carga imagética da outra. Por isso a imagem, assim como a poesia pode “dizer o indizível” e ser ao mesmo tempo mensagem e referente. Como cifra da condição humana, descortina os mistérios da enigmática construção do ser daquele que a elabora e contempla a fim de apreender a completude da verdade.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A Imagem - Octavio Paz

*Leitura feita por Anike Lamoso

O texto A Imagem de Octavio Paz analisa as imagens a partir de uma perspectiva histórica e poética. O autor faz uma analogia entre as visões de mundo ocidentais e orientais e onde essa diferença entre elas reflete na forma de encarar realidades e de observar as imagens em seu todo, numa forma poética.
Paz fala de como o mundo ocidental, desde Parmênides, têm sido o da distinção nítida e incisiva entre o que é e o que não é. Ele afirma que seria necessário um desenraizamento dessa concepção de "idéias claras e distintas". Já a cultura oriental observa as imagens e a realidade a partir de experiências próprias para a construção de cada verdade. Para os orientais o conhecimento não é transmissível em fórmulas ou raciocínios, a verdade é uma experiência própria vivenciada por cada um.
Além disso, o autor também mostra a relação entre o poder das imagens e das palavras. A imagem teria um sentido amplo dependendo da cultura e do conhecimento de mundo do observador, enquanto a mensagem escrita é mais limitada, é sentido disto ou daquilo.
A linguagem poética então seria a que mais se aproxima da linguagem das imagens, pois permite dizer o indizível, assim como apresentar diversas significações. A poesia, portanto, coloca o homem fora de si e não mesmo tempo o faz regressar ao seu ser original. A poesia é a imagem do homem contra ele mesmo.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

A Imagem - Octavio Paz

Leitura (1) - Fabrício Carvalho:


O texto apresenta um percurso que visa uma abrangência do nosso conceito limitado de imagem.
Na literatura, quando realidades opostas são conjugadas em uma mesma situação, sendo essa desenvolvida em uma frase ou várias páginas, desse oposto compõe-se uma imagem. A imagem não é uma forma objetiva e está embutida nebulosamente na condição das figuras do texto.
É destacável essa linda citação do autor para a definição do conceito: "A imagem é cifra da condição humana". Cifra nesse sentido seria a explicação ou chave de uma escrita enigmática ou secreta. Nas circunstâncias que unem realidades confrontadoras, a imagem é a chave fornecida pelo texto do entendimento das emoções e sentimentos da figura literária, o personagem; ou também a própria sensação de tensão desencadeada no leitor.
Em segundo caso é abordado sobre os elementos da imagem na poesia. Como exemplo é dada a afirmação "pedras são plumas". Os elementos não perdem suas características que os distinguem, pois o poeta os nomeia. De acordo com a lógica, a realidade poética da imagem não pode aspirar a verdade pois a fusão dos contrários atenta contra os fundamentos do nosso pensar: "O poema não diz o que é e sim o que poderia ser." Porém os poetas afirmam que a imagem revela o que é; que recriam o ser.
Para auxiliar na fundamentação lógica a dialética criou um processo pelo qual a imagem se constituiria. Esse processo seria formado por três momentos: o da primeira realidade (tese), o da segunda realidade (antítese), e como resultado da contradição surgiria a nova realidade, a imagem. Porém a maioria das imagem não se adéquam ao processo sendo que se tratam de comparações e não de uma verdadeira identidade. Por exemplo: "pedras são plumas"- confere-se o caráter de leveza a pedra; "plumas são pedras" – confere-se o caráter de peso as plumas. Torna-se inviável a constituição de processos pela infinidade de possibilidades de construção da imagem. A imagem é a prova da impotência das palavras, já que nem a dialética é capaz de explicá-la em sua plenitude.
Assim surgiram outros sistemas lógicos como o de Lupasco pelo qual o primeiro termo depende do outro para se atualizar, mas mesmo assim não absolvem todas as imagens.
É tendência do modo de pensamento ocidental o estranhamento da equiparação dos opostos por uma necessidade constante de fundamento lógico. A busca constante pela verdade clara, pelos fatos.
[...]