domingo, 24 de agosto de 2008

A Imagem

Octavio Paz, um dos principais pensadores de signo da literatura hispano-americana, admite em seu texto "A imagem" que, apesar de possuir vários significados, imagem, em sua essência, consiste em "toda a forma verbal, frase ou conjunto de frases que o poeta diz e que unidos formam um opema".Imagens ou poemas compostos de imagens, podem conter diversas siginificações, podendo inclusive, serem contraditórias ou díspares. Nesse sentido, a imagem vem para suprir o vazio dos vocábulos em sua indeterminância e alternância de significados. A imagem, surge então, nesse local obscuro entre os vocábulos e seus significados para submeter a pluralidade da palavra à singularidade do significado que consiste, por sua vez, na própria imagem.

Devido à tal relação a imagem viola as leis do pensamento. Como exemplo, Paz faz alusão às pedras e as plumas e quão assustadora é, para uma criança, a percepção de que 1 kg de pedras se equivale ao peso de 1kg de plumas. Esse estranhamento é explicável devido ao fato de que muito custa submeter a imagem de pedras (pesadas) e plumas (leves) à abstração quilo. Eis que a imagem por nós criada de tais elementos, não concorda com a realidade matemática desse fenômeno.

Desde Parmênides, os pilares da filosofia foram estabelecidos de acordo com um parâmetro de clareza de idéias, uma espécie de "lugar seguro" do pensar: "o que é, é". O pensamento oriental, no entanto, procura transceder a barreira do isto e do aquilo.

Erlo Barbosa

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

A Imagem - Octavio Paz

Leitura (1) - Fabrício Carvalho:


O texto apresenta um percurso que visa uma abrangência do nosso conceito limitado de imagem.
Na literatura, quando realidades opostas são conjugadas em uma mesma situação, sendo essa desenvolvida em uma frase ou várias páginas, desse oposto compõe-se uma imagem. A imagem não é uma forma objetiva e está embutida nebulosamente na condição das figuras do texto.
É destacável essa linda citação do autor para a definição do conceito: "A imagem é cifra da condição humana". Cifra nesse sentido seria a explicação ou chave de uma escrita enigmática ou secreta. Nas circunstâncias que unem realidades confrontadoras, a imagem é a chave fornecida pelo texto do entendimento das emoções e sentimentos da figura literária, o personagem; ou também a própria sensação de tensão desencadeada no leitor.
Em segundo caso é abordado sobre os elementos da imagem na poesia. Como exemplo é dada a afirmação "pedras são plumas". Os elementos não perdem suas características que os distinguem, pois o poeta os nomeia. De acordo com a lógica, a realidade poética da imagem não pode aspirar a verdade pois a fusão dos contrários atenta contra os fundamentos do nosso pensar: "O poema não diz o que é e sim o que poderia ser." Porém os poetas afirmam que a imagem revela o que é; que recriam o ser.
Para auxiliar na fundamentação lógica a dialética criou um processo pelo qual a imagem se constituiria. Esse processo seria formado por três momentos: o da primeira realidade (tese), o da segunda realidade (antítese), e como resultado da contradição surgiria a nova realidade, a imagem. Porém a maioria das imagem não se adéquam ao processo sendo que se tratam de comparações e não de uma verdadeira identidade. Por exemplo: "pedras são plumas"- confere-se o caráter de leveza a pedra; "plumas são pedras" – confere-se o caráter de peso as plumas. Torna-se inviável a constituição de processos pela infinidade de possibilidades de construção da imagem. A imagem é a prova da impotência das palavras, já que nem a dialética é capaz de explicá-la em sua plenitude.
Assim surgiram outros sistemas lógicos como o de Lupasco pelo qual o primeiro termo depende do outro para se atualizar, mas mesmo assim não absolvem todas as imagens.
É tendência do modo de pensamento ocidental o estranhamento da equiparação dos opostos por uma necessidade constante de fundamento lógico. A busca constante pela verdade clara, pelos fatos.
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