terça-feira, 4 de novembro de 2008

Ticiano, Ovídio e os códigos da figuração erótica no séc XVI e o caso Oswaldo Martins

Por Erlo Barbosa

Carlos Ginzburg, em seu texto "Ticiano, Ovídio e os códigos da figuração erótica no séc XVI", faz uma série de inferências sobre a imagem erótica, emergida no séc XVI, e da luta da Igreja Católica para proibir e difamar tais imagens, que eram tidas como um objeto de afastamento entre os fiéis e a santidade. Tal atitude hoje em dia é considerada retrógrada e antiquada, além de repressiva. Contudo, o recente episódio ocorrido em uma instituição de ensino particular no Rio de Janeiro, em que o professor de literatura Oswaldo Martins Teixeira foi demitido por ter colocado poesias de conteúdo erótico em seu blog pessoal, mostra uma realidade completamente discrepante. Com o aval dos pais, a escola alegou estar presando pela moral e pelos bons costumes. Esse tipo de atitude mostra como a sociedade ainda é regida pelos mesmos princípios remanescentes de uma pré-cultura judaico-cristã e de uma estrutura partriacal, em que o erótico é tido como algo pecaminoso e obscuro.

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